Visitar Berlim – Roteiro completo para 2 dias na cidade

Berlim é a capital da Alemanha, mas não só. É uma das cidades mais importantes da Europa, palco de alguns dos episódios mais notáveis do século XX. Nos dias de hoje, Berlim já não carrega o peso de outrora. Após a queda do Muro de Berlim, a cidade rejuvenesceu com uma vibe contagiante e alternativa, sem despreciar o valor cultural que encerra.

É uma ótima cidade para uma escapadinha europeia. Apesar de Berlim ter imensos pontos turísticos para visitar, neste artigo preparei um roteiro completo para dois dias na cidade, precisamente para quem tem apenas um fim de semana.

Willkommen a Berlim, vamos lá?

Berlim é uma excelente opção para um escapadinha de fim-de-semana

Algumas curiosidades sobre Berlim:

  • Berlim tem 3,5 milhões de habitantes;
  • 14% da sua população é estrangeira, um terço dos quais turcos;
  • Um terço da cidade de Berlim corresponde a zonas verdes (parques, campos, matas, lagoas);
  • Berlim é a maior cidade da Alemanha, em termos de população e área.
  • A cidade de Berlim conta com 166 museus, deveras surpreendente!
Berlim é hoje uma cidade vanguardista
 
Dia 1: Reichstag – Parque de Tiergarten – Porta de Brandenburger – Parisier Platz – Memorial dos Judeus Mortos na Europa – Postdamer Platz – East Side Gallery – AlexanderPlatz

Reichstag

A cúpula de Foster é o apogeu do Parlamento alemão

Reichstag é o edifício oficial do Parlamento alemão. A construção original aconteceu entre 1884 e 1894, por Paul Wallot. Na altura funcionava como sede do Parlamento Imperial. Porém, em 1933, um terrível incêndio destruiu grande parte do edifício e, como consequência da 2º Guerra Mundial, este ficou totalmente destruído.

Em 1993, o arquiteto Norman Foster ficou encarregue de restaurar o edifício do Parlamento. Foi Foster que teve a ideia de construir uma enorme cúpula de vidro, no topo da obra. A cúpula, hoje designada por Cúpula de Foster, é visível a quilómetros de distância e é o ponto alto de Reichstag.

Do topo da cúpula, é possível ver o hemiciclo em baixo, como representação de um sistema democrático aberto.

Dica:

É possível entrar no Reichstag e subir até ao topo da cúpula. A vista sobre a cidade é fascinante. A entrada é gratuita, mas é preciso marcar. Podem fazê-lo aqui.

Parque de Tiergarten

O Parque de Tiergarten é o pulmão de Berlim

Tiergarten significa “jardim de animais” e a sua origem remonta aos tempos em que era possível encontrar javalis e veados neste lugar. Este é um dos maiores parques da cidade e o pulmão de Berlim. Fica precisamente em frente a Reichstag.

Seguindo pela principal artéria do parque, chegaremos à Siegessaule, ou Coluna da Vitória. Esta estátua foi erigida em 1873 para comemoras a vitória da Prússia contra a Dinamarca, Áustra e França. A coluna tem 67 metros de altura com a Deus Vitória no topo (Gold Else), acenando com a sua coura de louros em direção a Paris.

Este monumento preserva marcas de tiroteios ocorridos durante a 2º Guerra Mundial.

A sul de Tiergarten situa-se o bairro diplomático, com as mais diversas embaixadas na sua maioria.

Porta de Brandenburg

A Porta de Brandenburg é um símbolo da reunificação de Berlim

Depois de explorar o Parque de Tiergarten, voltamos para trás e contornamos o edifício de Reichstag. É aqui que encontramos a Porta de Brandenburg, uma das principais atrações de Berlim.

A Porta de Brandenburg foi erigida entre 1788 – 1791 por Karl Gotthard Langhans. O arquiteto, inspirado na Acrópole de Atenas, trouxe o mesmo estilo neoclássico. Apesar de ter sido projetada como um “Arco da Paz”, a Porta de Brandenburg foi utilizada em 1933 para glorificar os valores marciais. Foi aqui que aconteceu o cortejo de archotes nazi que marcou o início do Reich.

Hoje, este monumento simboliza a reconciliação entre o Oeste e o Este da cidade e é um símbolo de reunificação.

A escultura que se encontra no topo, A Quadriga, representa a deusa Viktoria a conduzir o seu próprio coche. Foi levada para Paris, por Napoleão, tendo sido mais tarde devolvida ao seu local de origem.

Parisier Platz

Uma das praças mais movimentadas da cidade

Parisier Platz é a praça contígua à Porta de Brandenburg. Outrora, foi a sala de receções da Berlim Imperial. Durante a 2º Guerra Mundial, esta praça foi totalmente arrasada.

Só nos anos 90, e após a queda do Muro de Berlim, é que a praça renasceu e foi transformada num dos principais epicentros da cidade.

Ainda hoje é possível encontrar tocadores de realejo, um instrumento musical similar ao órgão, que funciona à manivela. Os postes de iluminação são importantes recordações do passado.

Um senhor a tocar realejo em Parisier Platz

Por entre os edifícios mais notáveis desta praça, destaco o Adlon Hotel, DG Bank, a Academia de Artes e as embaixada francesa, britânica e norte-americana.

Memorial dos Judeus Mortos na Europa

O memorial dos judeus mortos homenageia os 6 milhões de judeus mortos durante o Holocausto

Junto à Porta de Brandenburg está o Memorial dos Judeus Mortos na Europa. Esta construção foi projetada por Peter Eisenman em 2004. Numa área de 19 000 metros quadrados, existem 2711 blocos de betão, com alturas alternadas.

É possível percorrer o espaço entre os blocos e “perder-se” no labirinto provocado por estes. O objetivo era trazer a ideia de confusão e intranquilidade. Um sistema supostamente ordenado, que perdeu a conexão da razão humana.

Potsdamer Platz

Potsdamer Platz é uma das praças mais vanguardistas de Berlim

A Praça de Potsdamer é uma das marcas da nova e contemporânea Berlim. É uma das praças mais importantes da cidade e fica a 1 quilómetro a sul da Porta de Brandenburg. O seu nome homenageia a cidade de Potsdam, que fica a 25 quilómetros de Berlim.

A praça foi totalmente destruída durante a 2º Guerra Mundial e abandonada durante o período da Guerra Fria. O Muro de Berlim dividia a praça ao meio. Ainda hoje é possível ver partes do Muro expostas na praça de Potsdamer.

A East Side Gallery é uma das obras mais espetaculares de street art

A East Side Gallery é considerada a maior galeria a céu aberto do mundo. Consiste na maior parte do Muro de Berlim ainda em pé, com dezenas de pinturas feitas após a queda do Muro, por artistas dos quatro cantos do mundo.

O Muro tem 1,3 quilómetros de comprimento e fica na rua Mühlenstraße em Friedrichshain-Kreuzberg, ao longo da margem do rio Spree. São 105 as pinturas projetadas no Muro, com a assinatura de artistas como Jürgen Grosse, Dimitri Vrubel, Siegfrid Santoni, Bodo Sperling, Kasra Alavi e outros.

A famosa pintura do beijo, de Dmitri Wrubel

O beijo é uma das obras mais famosas do East Side Galley

Esta é, provavelmente, a pintura mais famosa da East Side Gallery, e aquela que mais atrai a atenção dos turistas. Foi pintada pelo artista russo Dmitri Wrubel, com o nome Mein Gott, hilf mir, diese tödliche Liebe zu überleben (“Deus, ajude-me a sobreviver a este amor mortal”). Os homens presentes são dois líderes soviéticos, Leonid Brejnve e Erich Honecker. O beijo entre estes aconteceu mesmo, em 1979. Porém, ao contrário daquilo que se pensa, não existe nenhuma conotação sexual neste ato.

Na verdade, o beijo entre soviéticos era muito comum e era nada mais do que uma demonstração de camaradagem. Esta imagem foi muito difundida durante a Guerra Fria e acabou por se tornar numa das imagens mais icónicas desta época. O ritual do beijo, porém, é bem mais antigo do que a União Soviética e remonta a rituais da Igreja Ortodoxa.

AlexanderPlatz

Alexanderplatz é uma praça comercial de Berlim

A praça de Alexanderplatz é outro marco importante de Berlim. Deve o seu nome ao czar Alexandre I da Rússia, que visitou a cidade em 1805.

Atualmente, Alexanderplatz é um grande centro comercial, com dezenas de lojas e restaurantes. É também aqui onde converge grande parte da rede de transportes da cidade. O festival da cerveja do Oktoberfest e os Mercados de Natal são alguns dos eventos que acontecem nesta praça.

Nesta praça destaca-se a torre de radiodifusão, Fernsehtrum, com 362 metros de altura. É mais alta do que a Torre Eiffel em Paris e permite uma vista panorâmoca sobre a cidade.

O Relógio Mundial de Urania é também uma das grandes obras desta praça. Neste relógio é possível ver as horas de 148 cidades. A Fonte de Neptuno e o edifício de Rote Rathaus marcam também esta praça.

Dia 2: Unter den Linden – Babel Platz – Berlin Dom – Ilha dos Museus – Praça de Gendarmenmarkt – Checkpoint Charlie – Topografia dos Terrores

Unter den Linden

O segundo dia começa na avenida Unter den Linden, ou avenida “Sob as Tílias”, de acordo com a tradução. Esta praça liga a famosa Parisier Platz à ponte de Friedrichsbrucke e está recheada de bares, cafés e restaurantes icónicos.

BabelPlatz

Foi em Babelplatz que aconteceu a Queima dos Livros em 1933

Esta praça fica no extremo Leste da Avenida Unter den Linden e a sua importância remonta aos tempos da Alemanha nazi. Foi aqui, nesta praça, que aconteceu a Queima dos Livros, em 1933. Foram milhares os livros queimados neste dia, cujos autores eram censurados. Karl Marx, Sigmund Freud ou Heinrich Hein, foram alguns dos escritores que viram as suas obras queimadas.

No centro da praça é possível ver uma lousa de vidro que cobre uma estante vazia. Este monumento homenageia a queima dos livros e o tamanho da estante representa o tamanho que os livros queimados deveriam ocupar.

Destaco uma frase escrita por Heinrich Hein, num dos seus livros, em 1817 – “Onde quer que os livros sejam queimados, os homens serão também, eventualmente, queimados”.

Nesta praça estão importantes edifícios como a Ópera de Berlim, a Universidade de Humboldt e a Catedral de St. Hedwigs.

Berliner Dom

A Catedral de Berlim fica na Ilha dos Museus

A catedral de Berlim (Berliner Dom) é o ex-libirs da cidade e o edifício religioso mais importante da cidade. Projetada pelo arquiteto Julius Raschdorff, a sua construção foi concluída em 1905. O detalhe mais impressionante é a sua cúpula, com 74 metros de altura. No seu interior, é possível visitar os sarcófagos de mais de 90 membros da dinastia Hoenzollern.

A catedral protestante ficou bastante danificada durante a 2º Guerra Mundial e ainda hoje decorrem obras de reconstrução.

O jardim em frente à Berlin Dom, na praça Lustgarten, recebe os louros por ter sido o local onde foram plantadas as primeiras batatas da Prússia, em 1649.

Dica:

Se visitares a Berlin Dom durante o fim de semana, aproveita para conhecer o Berliner Kunst Markt, um mercado de arte ao ar livre, que funciona em frente à catedral, do outro da margem do rio Spree. O mercado funciona aos sábados e domingos, das 11h às 17h.

Ilha dos Museus

A Catedral de Berlim fica na chamada Ilha dos Museus. Esta é uma pequena ilha, rodeada pelas águas do rio Spree, onde se concentram vários museus, além da catedral protestante. Aqui podemos encontrar o Museu Pergamon, o Museu Antigo, o Museu Novo, a Antiga Galeria Nacional e o Museu Bode.

Num roteiro de dois dias pela cidade, não é possível encaixar uma visita a estes museus. Se quiseres explorar esta parte de Berlim, sugiro que fiques mais tempo na cidade.

Praça de Gendarmenmarkt

Praça de Gendarmenmarkt

A Gendarmenmarkt é uma das praças mais bonitas de Berlim. Com a sua arquitetura clássica, esta praça remete-nos para a pompa imperial e para as bandas marciais prussianas.

As principais atrações desta praça são as duas catedrais gémeas – a igreja francesa e alemã (Franzosischer Dom e Deutscher Dom). As duas igrejas ocupam extremidades opostas da praça e uma está exatamente em frente à outra. Ambas as igrejas têm um museu no seu interior, possível de ser visitado.

Duas catedrais gémeas na praça de Gendarmenmarkt

O teatro de Konzerthaus é outra das grandes atrações de Gendarmenmarkt. A versão original do edifício foi vítima de um incêndio que o devastou na totalidade. A tragédia aconteceu durante o ensaio da peça “Os Salteadores” de Schiller. Por este motivo, foi erigida uma estátua em homenagem ao dramaturgo, em frente ao teatro. O teatro foi reconstruído em 1821 por Karl Friedrich Schinkel em 1821 mas, durante a 2º Guerra Mundial, a obra foi novamente devastada.

Teatro de Konzerthaus

Checkpoint Charlie

Checkpoint Charlie

O Checkpoint Charlie é um dos pontos icónicos da cidade, e um daqueles que mais turistas atrai em Berlim. O Checkpoint Charlie foi uma passagem de fronteira, utilizada durante a Guerra Fria, entre Berlim Ocidental e Berlim Oriental. Este posto era controlado pelos americanos. O nome, Charlie, vem da terceira letra do alfabeto fonético da NATO.

Enquanto meio de ligação, havia muitos habitantes da parte oriental que tentavam enganar os militares e atravessar ilegalmente a fronteira, rumo à terra da liberdade, na parte ocidental. Peter Fechter é possivelmente a vítima mais famosa do Muro de Berlim.

Atualmente, no local, é possível ver o Posto Fronteiriço bem como uma réplica do cartaz original, onde se podia ler “You are leaving the american sector”.

Junto ao posto, está o Museu Checkpoint Charlie, onde se pode ficar a saber mais sobre este posto tão famoso. O acesso é gratuito. O museu é pequeno, mas muito interessante.

O Checkpoint Charlie fica na avenida Friedrichstraße, uma das artérias principais da cidade que também vale a pena explorar.

Topografia dos Terrores

A Topografia dos Terrores localiza-se na antiga sede da GESTAPO

A Topografia dos Terrores foi a única exposição que visitei, além do Museu do Checkpoint Charlie. Este situa-se na antiga sede da GESTAPO, a polícia secreta nazi. Todos aqueles que se opunham ao regime nazi eram trazidos para aqui, onde eram interrogados e torturados. A exposição relata toda a história da 2º Guerra Mundial, desde a ascensão do partido nazi, até à época do Holocausto e o fim da guerra, e de como a sórdida GESTAPO permitiu a Hitler cometer tantas atrocidades.

O acesso é gratuito e têm áudio guia em português. A visita ainda é longa, pelo menos 3 horas são necessárias para visitar tudo com calma.

E pronto, aqui ficam as sugetões para uma escapadinha em Berlim. Espero que te seja últil e que te divirtas em Berlim!

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