Dinheiro em viagem – Parte II

Na segunda parte deste post vou abordar a questão da utilização de cartões bancários em viagem. A principal vantagem está, como é óbvio, na segurança que nos conferem, em comparação a andar com o dinheiro todo no bolso. A desvantagem está nas taxas e comissões cobradas pelas entidades bancárias pela utilização destes cartões. Contudo, hoje em dia já há boas opções e vou apresentá-las aqui.

Neste tema temos dois tipos de cartões bancários, os cartões nacionais (ditos tradicionais, que usualmente utilizamos) e os cartões internacionais.

 

Cartões bancários nacionais

 

Estes cartões são aqueles que mais nos prejudicam em viagens. De facto, estes acumulam muitas taxas e comissões, consoante se trate de um cartão de débito ou crédito:

Taxas cobradas com cartões de débito:

– Levantamentos em ATM (do inglês automated teller machine):

Comissão do banco (varia consoante a instituição bancária);

Comissão de serviço interbancário (2%);

Comissão de serviço internacional (1%);

Imposto de selo.

– Pagamentos em TPA (terminal de pagamento automático):

Comissão de serviço interbancário (2%);

Comissão de serviço internacional (2%);

Imposto de selo.

 

Taxas cobradas com cartões de crédito:

– Levantamentos em ATM:

Comissão do banco (varia consoante a instituição bancário);

Comissão de serviço interbancário (2%);

Comissão de serviço internacional (1%);

Imposto de selo;

Comissão por utilização do cartão de crédito (cash advance).

– Pagamentos em TPA:

Comissão de serviço interbancário (2%);

Comissão de serviço internacional (2%);

Imposto de selo.

 

Posto isto, entre pagamentos e levantamentos compensa sempre mais pagar com cartão do que levantar dinheiro. Entre utilizar cartão de crédito ou de débito depende: para pagamentos é indiferente; para levantamentos o cartão de débito é mais vantajoso.

 

Cartões bancários internacionais

Quase todos estes cartões foram desenhados para pessoas que viajam regularmente e por isso apresentam uma série de vantagens relativamente às taxas cobradas pelos cartões normais. Quase todos estes cartões são pré-pagos, o que significa que funcionam por carregamentos. Ou seja, basicamente carregamos o cartão pré-pago com o montante que pretendemos e vamos utilizando até carregarmos novamente. Aqui vou apresentar as características de 4 cartões:

 

Revolut

Revolut

 

O Revolut é um cartão de débito pré-pago da rede Mastecard ou Visa. A Revolut é uma empresa financeira registada no Reino Unido cujos depósitos são assegurados pelos bancos Lloyd’s e Barclays.

– Levantamentos em ATM gratuitos até 200 € por cada 30 dias. A partir deste montante são cobrados 2% sobre o montante levantado;

– 0% de taxas e comissões em pagamentos;

– O carregamento do cartão (top up) pode ser feito gratuitamente a partir de cartões de débito ou MBWay (imediato) ou por IBAN (2-3 dias);

–  Transferências gratuitas em 26 moedas diferentes;

– Taxas de câmbio interbancárias;

App gratuita para Android e IOS com várias carcaterísticas interessantes: permite desativar o cartão (em caso de perda, roubo), bem como voltar a reativá-lo, impedir o acesso durante um determinado tempo, cancelar pagamentos, definir limites, criar cartões virtuais, etc.

– Pagamentos sem taxas e/ou comissões em 120 moedas diferentes;

– Sem limite de carregamento por ano;

– Obtenção do cartão gratuita durante a fase promocional (depois tem um custo de 5,99 €);

– Sem custos de anuidade ou manutenção;

– Serviço de apoio ao cliente em forma de chat bastante rápida, com um tempo de espera máximo de 20/30 minutos;

– Durante o fim de semana é cobrada uma taxa quer para levantamentos como para pagamentos de 0,5% para as principais divisas e 1% para as restantes. Tal acontece quando é necessário haver conversão de moeda. Se tivermos libras em saldo, por exemplo, esta taxa deixa de ser cobrada.

(Existe um grupo de Facebook não oficial, Revolut Portugal, onde é também possível tirar dúvidas entre todos os utilizadores da Revolut)

 

Ferratum

Ferratum

 

É também um cartão de débito pré-pago da rede Mastercard. O Ferratum Bank está sediado em Malta.

– Quatro levantamentos por mês gratuitos, independentemente do valor. Os levantamentos seguintes têm um valor de 2,99 €;

– 0% de taxas e comissões em pagamentos;

– Conta corrente gratuita;

– É possível ter até 6 moedas diferentes na mesma conta (conta multidivisa);

– Obtenção de cartão gratuita;

– Transferências bancárias gratuitas;

– 0€ de saldo mínimo exigido;

App para manusear a conta;

– A conta é criada por videochamada na presença do passaporte e de um comprovativo de morada.

 

N26

N26

 

É um cartão da rede Mastercard. O N26 Bank é um banco tradicional, com sede na Alemanha.

– 5 levantamentos gratuitos em EUROS por mês, na ZONA EURO. Após estes 5 levantamentos aplica-se uma taxa de 2 € por levantamento;

– Para levantamentos noutras moedas aplica-se sempre uma taxa de 1,7%;

– 0% de taxas e comissões em pagamentos, em qualquer moeda;

– Conta corrente gratuita;

– Obtenção de cartão gratuita durante o período promocional. Depois deste, tem um custo de 2,90€/mês;

– Não é necessário carregar o cartão, o mesmo utiliza o saldo da conta à ordem;

– Tem um IBAN alemão, a partir do qual se podem fazer transferências;

– Obtenção do cartão gratuita;

– Sem custos de anuidade ou manutenção;

– Funciona a partir de uma app mas também a partir do próprio site.

– É possível abrir conta a partir de videochamada.

 

Denizen

Denizen

 

É um cartão da rede Mastercard, com conta corrente, segurado pelo BBVA.

– 0% de taxas e comissões em levantamentos, em qualquer moeda;

– 0% de taxas e comissões em pagamentos, em qualquer moeda;

– Existe uma conta associada ao Denizen, com proteção bancária até 100 000 €;

– Não requer um valor mínimo na conta;

App para manusear a conta;

– Conta em EUR e/ou USD;

– A conta é criada a partir da app e é necessário fazer um pequeno vídeo na presença do passaporte;

– Uma das vantagens do Denizen está na devolução das taxas cobradas por bancos locais. Ora, em muitos países são nos cobradas taxas para levantamentos pelos bancos locais. Quanto a estas taxas não há muito a fazer dado que dependem dos bancos locais e não propriamente do tipo de cartão que utilizamos. Com o Denizen estas taxas são cobradas à mesma mas esse valor é-nos devolvido no 1º dia útil do mês seguinte, se esses levantamentos forem efetuados em ATMs de bancos, e não em ATMs de rua.

 

É importante ter duas coisas em atenção: em primeiro necessitamos à mesma de ter os nossos cartões nacionais. No fundo são esses cartões que vão “bancar” os cartões pré-pagos. Em segundo, convém sempre ter mais do que um cartão internacional, de preferência de redes diferentes. Um deles pode não funcionar e portanto teremos sempre uma segunda opção. De entre as várias propostas do mercado basta escolher aquela que mais se adapta às nossas necessidades enquanto viajante.

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