Como Tudo Isto Começou

A paixão por viagens surgiu em 2011, quando comprei o livro do Gonçalo Cadilhe, “O Mundo é Fácil”. Foi a primeira vez que tive contacto com o conceito de viajante, slow-travell, backpacking, entre outros. Até então sempre havia sido turista em todas as viagens que fui fazendo com os meus pais. Nasceu ali, para mim, algo novo. Longe estava eu de pensar que isto se haveria de tornar numa das maiores paixões da minha vida. Com o tempo fui pesquisando mais sobre o assunto, lendo mais livros, e contactando com os maiores bloggers de viagem em Portugal.

 

Esta é já uma versão mais atualizada. Infelizmente perdi a primeira cópia que tive do livro.

 

Entrei para a universidade e fiz o curso em Bioquímica, sempre a acalentar aquela ideia de um dia partir. Sabem aquela sensação de “um dia tenho de fazer uma coisa destas?”. O tempo ia passando e a ideia ia ganhando mais forma, mais conteúdo. Fui-me apaixonando pela Ásia, em particular pela Tailândia, e comecei a devorar roteiros, cidades, ruas, tudo o que estivesse relacionado. Findada a licenciatura, abre-se uma brecha no tempo e surge a oportunidade de ir para algum lado. Tinha tempo e algum dinheiro. Queria muito, muito ir, mas também tinha muito, muito medo.

Pesquisei várias hipóteses diferentes, tentei fazer voluntariado em Cabo Verde, onde pudesse falar português, pensei fazer o mesmo no Peru, uma vez que até me safava em Espanhol, mas aquele bichinho da Tailândia não desaparecia. Falei com a Carla, do blog “Viajar entre Viagens” e só me recordo de ela me dizer “Vai miúda, é agora, este é o teu momento”. Houve um dia em que se deu o clique e em 5 segundos comprei um bilhete, para dali a 2 semanas. Ok, isto ia mesmo acontecer. Ia mesmo para a Tailândia sozinha. Tinha na altura 21 anos. Só conseguia pensar “Agora vais ter de ir, é agora ou nunca”. E fui.

 

Minutos antes de partir

 

Nunca tinha viajado sozinha, nunca tinha saído da Europa e nunca havia viajado tanto tempo. O choque foi enorme. Desengane-se quem pensa que tudo são histórias bonitas e que tudo é altamente desde que se esteja a viajar. Os primeiros três dias foram a chorar baba e ranho e a pensar “onde é que eu me fui meter?”, parecia que tinha caído numa loja dos chineses gigante. Pensei em desistir, mandar tudo para o ar e vir embora – “Olha, tentei mas não resultou, talvez não fosse para mim”. Ao mesmo tempo algo me dizia, “não, agora que te meteste nelas vais ter de te aguentar à brava”.

Falei com o André Parente, do blog “Tempo de Viajar” que me tentou acalmar e fazer-me ver que aquilo que eu estava a sentir era normal. Lá me aguentei e ao terceiro, quarto dia comecei a falar com desconhecidos, comecei a fazer amizades aqui e ali. Apanhei-lhe o jeito, digamos assim, e em cada esquina desfiava uma conversa. O tempo foi passando e fui-me abrindo para o mundo que estava à minha frente.

 

O meu maior sonho estava ali, estava a realizar-se e eu só tinha de agarrá-lo.

 

Do nada, numa viagem num comboio noturno entre Banguecoque e Chiang Mai lembro-me de olhar pela janela, para a vastidão da noite e pensar “Meu deus, isto está mesmo a acontecer”. Desatei a chorar mas desta vez de felicidade, afinal eu estava mesmo ali. Eu tinha lido 300 crónicas sobre aquele comboio, lido relatos sobre aquelas cidades, feito perguntas em todos os grupos do Facebook, e, finalmente era eu que estava ali, era eu que estava a viver aquilo. Não estava mais a ler a história de nenhum viajante, era eu que estava a fazer a minha história! A partir desse momento deixei-me levar, deixei que a Tailândia me envolvesse e me mostrasse os seus encantos.

 

O primeiro amigo que fiz. Chama-se Genki e é Japonês, na altura tinha 19 anos e estava também a viajar sozinho. Ligou-me há um ano para me dizer que finalmente arranjara namorada.

 

Conheci lugares lindíssimos, conheci pessoas fantásticas, tão diferentes de mim e deste meu mundo. Mas, mais importante do que isso, senti uma sensação de liberdade abismal, arrebatadora, instintiva até. Aquela Patrícia era a mais verdadeira Patrícia que eu alguma vez conhecera. É claro que esta acabou por se tornar na melhor experiência da minha vida até ao momento. Voltei com aquela sensação de “isto não pode ficar por aqui, tem de haver mais”. E tal como diz a Marta, do blog “As Boleias da Marta”, o problema não é partir, o problema é parar.

E é mesmo, voltei com a certeza de que tinha de voltar a partir.

 

Voltei mais eu e mais mundo.

2 comentários

  1. Junior em 24 de Abril de 2018 às 16:22

    Parabéns, pela concretização desse teu sonho. Partilha-mos a mesma paixão por viagem. A decisão de partir sozinho para o desconhecido não é fácil. Abracei um projeto e fui para Miami trabalhar sem ninguém conhecer, hoje tenho uma “família” cá. Força e continua à descoberta.

    PS: mando esta mensagem de Puerto Rico onde independentemente do que disserem as pessoas recebem te como se fosses amigo de longa data…

    • Patrícia Carvalho em 2 de Maio de 2018 às 21:32

      Muito obrigada pelo seu comentário 🙂 Felizmente não estamos sozinhos e há sempre alguem no mundo que partilha os mesmos gostos que nós. De facto não é uma decisão inicialmente fácil mas é, com certeza, enriquecedora 🙂

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